O que poderá, na forma da Lei Maria da Penha, ensejar uma concessão de Medida Protetiva de Urgência a fim de impedir que o perseguidor continue a incomodar a vítima, sob pena de crime de descumprimento de MPU, e o ilícito é o próprio descumprimento.

Com esse Projeto de Lei, a perseguição em si, de forma virtual ou pessoalmente, já poderá ser considerada crime, ou seja, se torna um tipo penal, com pena própria, independente de descumprimento ou não de MPU.

O aumento é chocante, ao passo que 8 em cada 10 mulheres que acompanhamos, que estão sob amparo de MPU, dizem que são monitoradas e sofrem perseguição nas redes sociais e até pessoalmente, em suas casas, residências de familiares e amigos, locais de trabalho, e dizem que estão pânico.

A criminalização da conduta de perseguir uma mulher irá contribuir em muito para a paz da mulher, e, consequentemente, uma paz social.

A perseguição é totalmente diferente de uma admiração ou interesse.

Vai bem além, chega ao ponto de causar medo, sufocar, impedir que a outra continue fazendo atividades que fazia, porque está sendo monitorada, vigiada, controlada, e isso causa medo, retração pessoal na vítima, alteração de rotinas, o próprio sentimento de aprisionamento, cujas consequências podem ser sérias.

A perseguição virtual se dá pela constância de acessos e monitoramento das redes sociais da vítima, em que ficam expostas as vítimas às páginas, curtidas, comentários, compartilhamentos de fotos ou dados.

De forma pessoal, dá-se pela constância da vigilância e monitoramento da mulher em locais que fazem parte da rotina dela, como casa, local de trabalho, residências de parentes e amigos, locais de lazer, sempre buscando saber o que ela está fazendo, como está vestida, fixando olhar, muitas vezes até de forma intimidatória.

Já passou da hora de se punir severamente os homens violentos.

O reflexo de uma perseguição na vida de uma mulher pode perdurar anos e anos, e em alguns casos, marca até o final da vida.

Então, é necessário se tratar desses casos não somente de uma forma pedagógica, mas sim punitiva.

Só assim começaremos a frear o sofrimento das vítimas, e fazer que o homem violento pense nas consequências que sofrerá, e isso só ocorre com previsão de penas restritivas de liberdade.